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sábado, agosto 15, 2026

Ferragosto, o feriado italiano que transformou o “dolce far niente” em um negócio bilionário

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Criado em 18 a.C. pelo imperador Augusto, o Ferragosto é mais do que um feriado: tornou-se um dos grandes rituais do verão italiano, um estado de espírito associado ao descanso, às viagens e ao dolce far niente.

Celebrado em 15 de agosto, o período mobiliza cerca de 20% da população da Itália, que parte em êxodo para as praias e as montanhas. Em 2026, a semana do feriado deve movimentar € 18,5 bilhões.

O dia é marcado por longos almoços em família e entre amigos, mesas fartas, festas, shows e fogos de artifício. Ao mesmo tempo, o grande êxodo de verão movimenta hotéis, restaurantes e destinos de luxo como Porto Cervo, na Sardenha, e Capri, no Golfo de Nápoles.

O hábito de viajar nessa época ganhou força durante o fascismo, com a criação, em 1931, dos “treni popolari di Ferragosto”, programa criado pelo ditador Benito Mussolini para oferecer passagens com descontos de até 70%.

Mais de nove décadas depois, a tradição permanece viva. Em 2026, os moradores das grandes cidades encontram um motivo extra para viajar: escapar do calor, com temperaturas próximas dos 40°C em várias regiões do país.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Roma – Criado em 18 a.C. por Augusto, o primeiro imperador romano, como um período de descanso depois das colheitas, o Ferragosto é muito mais do que um feriado: é o estado de espírito da Itália no auge do verão europeu. Celebrado oficialmente no sábado, 15 de agosto, a tradição extrapola o calendário e se estende por uma a duas semanas — quando a vida no país desacelera e entra no ritmo do dolce far niente. Literalmente.

Com a festividade, ocorre o grande êxodo rumo às montanhas e às praias. Em 2026, entre os dias 10 e 16, a expectativa é de que 12 milhões de italianos estejam em viagem. Em outras palavras, neste exato momento, 20% da população do país está entregue às delícias do ócio sem culpa — ou chiuso per ferie (“fechado para férias”), como se lê nos cartazes em papel sulfite pregados na porta de estabelecimentos comerciais de Roma.

A primeira-ministra Giorgia Meloni partiu para o litoral da Puglia, no sul; enquanto o presidente Sergio Mattarella seguiu para o norte, para as Dolomitas, nos Alpes. Já o papa Leão XIV não foi longe, não. Está em Castel Gandolfo, onde fica o palácio de verão da Santa Sé.

O Ferragosto é uma festa. Famílias e amigos se reúnem para o almoço do dia 15, muitas vezes ao ar livre. A mesa é sempre farta, com especialidades locais, frutos do mar, carnes grelhadas, massas frias, frutas e gelatos. Mangia che ti fa bene! Em muitas localidades, há shows, procissões e queimas de fogos.

É uma grande celebração, mas também um grande negócio — uma das engrenagens mais poderosas do turismo italiano. Em apenas uma semana, de segunda-feira a domingo, dia 16, o Ferragosto deve movimentar € 18,5 bilhões.

Desse total, cerca de € 10 bilhões devem ser gastos em restaurantes e hotéis, segundo o Centro Studi da Confcooperative. Para se ter ideia, em 2025, todo o mês de agosto movimentou cerca de € 40 bilhões.

Nesse mercado bilionário, o Ferragosto encontra uma nova fronteira: o luxo. Entre os destinos mais exclusivos, está uma vila de apenas 420 habitantes, em uma enseada de águas azul-turquesa no Mediterrâneo — Porto Cervo, na Costa Smeralda, no nordeste da Sardenha.

Hotéis e beach clubs; restaurantes estrelados pelo Michelin, como o Italo Bassi Confusion e o Capogiro; um centrinho repleto de grifes da alta moda, como Loro Piana, Hermès e Louis Vuitton; uma marina abarrotada de megaiates e encostas dominadas por mansões escondidas pela vegetação.

Em 2025, o município de Arzachena, onde fica Porto Cervo, registrou 1,4 milhão de pernoites — cerca de 14% mais do que no ano anterior. A alta acompanha uma tendência observada em toda a ilha. No ano passado, as chegadas na Sardenha aumentaram 32,5% e os pernoites, 39,1% — mais do que o dobro da média italiana, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística da Itália.

O fenômeno não se limita à Sardenha. Capri, no sul do país, mantém seu lugar entre os destinos mais sofisticados do Mediterrâneo. A Puglia transformou antigas propriedades rurais em hotéis boutique. Toscana, Sicília e Costa Amalfitana combinam gastronomia, patrimônio cultural, paisagem e hospitalidade premium.

O ritual italiano de viajar no Ferragosto nasceu em 1931, quando Benito Mussolini criou os “treni popolari di Ferragosto” (Foto: commons.wikimedia.org)

Em agosto, o vilarejo Porto Cervo, na Sardenha, se transforma em ponto de encontro do jet-set internacional

No Ferragosto, o presidente Sergio Mattarella seguiu para o norte, para as Dolomitas, nos Alpes

Para o descanso de agosto, a primeira-ministra Giorgia Meloni escolheu o litoral da Puglia, no sul da Itália

O papa Leão XIV deve celebrar o Ferragosto com duas missas em Castel Gandolfo (Foto: Vatican Media)

A partida dos italianos para o campo e o litoral começou a se transformar em ritual nacional em 1931, quando o ditador fascista Benito Mussolini criou os treni popolari di Ferragosto (“trens populares do Ferragosto”). Com o objetivo de conquistar a simpatia das classes trabalhadoras e controlar o tempo livre da população, o programa oferecia passagens até 70% mais baratas.

O ritual atravessou gerações e continua tão enraizado na cultura italiana que até Roma desacelera durante o Ferragosto. As ruas ficam mais tranquilas, com muitas lojas, restaurantes, escritórios e empresas fechadas. A cidade, no entanto, está longe de quase parar como acontecia no passado.

Em 2026, durante o feriado, a região do Lázio, onde fica a capital italiana, deve registrar 662 mil chegadas e 1,7 milhão de pernoites — alta de 1,86% e 1,87%, respectivamente, em relação a 2025.

“São dados atualizados em 31 de julho, portanto, sujeitos a possíveis aumentos com reservas de última hora. O turismo em Roma continua registrando números recordes e agosto não é mais considerado baixa temporada”, afirma Alessandro Onorato, assessor de Grandes Eventos, Esporte, Turismo e Moda da capital italiana, ao NeoFeed.

O movimento reflete uma tendência mais ampla do turismo local. No primeiro semestre de 2026, foram registradas 10,9 milhões de chegadas, crescimento de 2,62% em relação ao mesmo período de 2025. Levando em consideração os dados do ano passado, mais da metade dos visitantes é estrangeira.

Para os romanos, o calor do verão de 2026 oferece um incentivo extra para escapar da cidade. As temperaturas próximas dos 40 graus, que podem produzir sensação térmica de quase 60 graus, tornam ainda mais difícil resistir à tradição de abandonar a capital em agosto.

Do latim Feriae Augusti, “férias de Augusto”, a data era comemorada originalmente em 1º de agosto. Por volta do século VII, porém, a Igreja Católica incorporou a antiga tradição romana, de origem pagã, ao calendário cristão.

O Ferragosto foi então transferido para o dia 15 e associado à Assunção de Maria — quando a mãe de Jesus foi elevada por Deus em corpo e alma à glória celestial ao fim de sua vida terrena, segundo a doutrina da Igreja Católica.

Como fez em 2025, Leão XIV reza neste sábado uma missa na Paróquia Pontifícia de San Tommaso da Villanova, em Castel Gandolfo. E, no dia 29, ele volta à região para encerrar a temporada com uma missa na igreja de Maria Santíssima del Lago.

À noite, a celebração ganha as águas do Lago Albano na tradicional procissão em homenagem à Madonna del Lago: a imagem de Nossa Senhora é levada em um barco, acompanhada por dezenas de embarcações decoradas e iluminadas, em um cortejo que reúne moradores, visitantes e peregrinos.



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