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terça-feira, agosto 11, 2026

Sem letramento digital, sem IA, sem dados – ConvergenciaDigital

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“A gente vive o inverno da cognição, que justamente trata desse momento em que as pessoas têm muita máquina, muito hardware, device à disposição, porém, pouco letramento para poder estabelecer curadoria dos dados”, destacou Guto Niche, palestrante, professor e gestor de RH da Summit, em entrevista à CDTV, após palestrar no Secop 2026.

Niche destacou a chamada inteligência humana e clamou para que, em vez de se falar só em IA, o tema da inteligência artificial humana ganhe força como alavanca para o letramento digital, para que as pessoas possam ser potencializadas pela IA. “A IA não veio para substituir o humano, mas ela só vai potencializar humanos que tenham algo a ser potencializado. A IA conta com um trilhão de dados, mas um trilhão vezes zero é zero. Então, a gente precisa trabalhar nessa dimensão do desenvolvimento do letramento humano”, frisou.

Um País tão heterogêneo como o Brasil impõe desafios nesse sentido. Fomentar o letramento é um dos caminhos para diminuir lacunas. Para Niche, o letramento deve ir além do puramente digital. “É o letramento amplo, porque o letramento digital é como se dá a usabilidade da tecnologia, como a gente pode melhor aproveitar a tecnologia. Isso é importante, na medida em que cada dia surgem mais novas tecnologias. Mas eu me refiro mais ao grau de reflexão e criticidade das pessoas”, salientou, ressaltando que a preocupação e o foco deveriam estar na escola, na universidade e nas famílias.

O inverno da cognição é um termo simbólico adotado por ele que faz analogia ao que aconteceu em décadas passadas do século 20, com o inverno da computação. O inverno da cognição resulta da ausência de letramento, de leitura das pessoas que, hoje, ficam oito segundos na manchete e nove horas por dia no celular, sendo cinco horas em redes sociais”, assinalou.

O afastamento do letramento profundo leva ao inverno da cognição, emergindo pessoas incapazes da curadoria dos dados. Mas como mudar essa realidade? Para Guto Niche, é discutindo tecnologia, mas assinalando a importância acerca do humano, da retomada dos laços e vínculos humanos, da reflexão profunda, da parada no tempo para poder pensar a si e ao outro”, apontou.




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