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segunda-feira, agosto 10, 2026

Capital do agronegócio avança sobre imóveis urbanos em Mato Grosso

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A força financeira acumulada pelo AGRONEGÓCIO começa a ganhar espaço também no mercado imobiliário urbano de Mato Grosso. Produtores e empresários rurais, tradicionalmente concentrados em terras, máquinas, estruturas produtivas e aplicações financeiras, ampliam a procura por imóveis destinados à geração de renda e à preservação de patrimônio.

O movimento pode ser observado em Primavera do Leste, um dos principais polos agrícolas do estado. No Seasons Trade Center Residences, empreendimento da Edificatto Desenvolvedora Urbana, 80% dos compradores têm alguma ligação com o AGRONEGÓCIO, segundo dados da companhia.

A mudança ocorre em meio à perspectiva de redução gradual dos juros, cenário que tende a alterar a relação entre risco e retorno de diferentes classes de ativos. Com a remuneração da renda fixa potencialmente menor nos próximos anos, parte dos investidores começa a avaliar alternativas capazes de proporcionar receitas recorrentes.

Nesse contexto, o mercado imobiliário volta ao radar principalmente em municípios onde a atividade econômica sustenta demanda constante por moradia. A expansão das cidades ligadas ao AGRONEGÓCIO, acompanhada pela circulação de executivos, técnicos, fornecedores, consultores e profissionais especializados, amplia a necessidade de imóveis para diferentes períodos de permanência.

O avanço das locações não está restrito às regiões agrícolas. Dados da PNAD Contínua, do IBGE, mostram que o Brasil chegou a 18,9 milhões de domicílios alugados em 2025, correspondentes a 23,8% das moradias. Em 2016, essa participação era de 18,4%.

Em Primavera do Leste, entretanto, a dinâmica apresenta características próprias. Além da população residente, o município recebe profissionais de outras regiões do Brasil e do exterior durante safras, feiras, visitas comerciais e operações relacionadas à cadeia agrícola. Com PIB per capita superior a R$ 100 mil, a cidade tornou-se um polo regional de negócios e serviços associados ao campo.

É nesse ambiente que empreendimentos residenciais voltados tanto à moradia convencional quanto às locações de curta e longa duração tentam capturar parte da demanda. No Seasons, as unidades possuem entre 40 m² e 130 m². A projeção divulgada para os imóveis destinados à locação varia de 11% a 14% ao ano, dependendo do desempenho da operação, com estimativa de ocupação de 80% nas unidades administradas profissionalmente pela Housi.

Os números, porém, representam projeções do empreendimento e dependem de fatores como procura, período de ocupação, custos de administração e condições do mercado imobiliário local.

O projeto integra o Complexo Trade Center Primavera, que reúne espaços corporativos, consultórios, áreas comerciais, centro de convenções e serviços. A configuração busca atender tanto moradores permanentes quanto profissionais que passam períodos determinados na cidade.

As unidades maiores e a possibilidade de integração entre plantas são direcionadas principalmente ao uso residencial, enquanto apartamentos compactos podem ser destinados à locação flexível. Nesse segundo modelo, a gestão pode ser realizada pela Housi, responsável por atividades como reservas, entrada de hóspedes, manutenção e atendimento.

Para a Edificatto, o perfil dos compradores reflete uma mudança na maneira como parte dos empresários rurais organiza seus investimentos.

“O capital do agro sempre teve uma relação muito forte com ativos reais. A terra continua sendo central, mas hoje o produtor também busca renda urbana, previsibilidade e diversificação. Em uma cidade como Primavera do Leste, que recebe profissionais do Brasil e do exterior por causa da safra e da cadeia produtiva, o imóvel para locação passa a funcionar como uma nova reserva de valor. Além disso, para quem mora, o Seasons traz uma lógica de praticidade muito forte: é possível viver dentro de um complexo com serviços, áreas corporativas e oportunidades de trabalho a poucos passos de casa”, afirma Gisele Barco, CEO da Edificatto Desenvolvedora Urbana.

A presença de compradores ligados ao campo também sinaliza uma transformação mais ampla nas cidades beneficiadas pela expansão agrícola. À medida que renda, empresas e profissionais especializados se concentram nesses municípios, aumenta a demanda por infraestrutura urbana, serviços e empreendimentos imobiliários semelhantes aos encontrados nos grandes centros.

Para investidores do AGRONEGÓCIO, esse processo cria uma alternativa complementar aos ativos tradicionalmente associados ao setor. Em vez de substituir investimentos em terras ou na própria atividade produtiva, os imóveis urbanos passam a disputar uma parcela do patrimônio destinada à diversificação e à geração de renda fora das oscilações diretamente relacionadas às commodities e às safras.






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