Apesar do prazo apertado, Brasil ainda pode voltar para a lista de países autorizados a exportar carne de frango para a União Europeia a tempo de evitar uma suspensão dos embarques ao bloco, segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).
Durante entrevista coletiva nesta terça-feira, Santin confirmou que enviados da UE farão uma auditoria no final de agosto para confirmar que o País segue o protocolo antimicrobiano exigido pelos europeus.
O protocolo formal exigiria etapas posteriores para a conclusão do processo, como revelou The AgriBiz. Mas Santin diz que, dependendo da vontade dos europeus, o processo pode ser agilizado, possibilitando o retorno do Brasil à lista até 3 de setembro, data limite imposta pelos europeus para a adequação.
“A Europa pode optar por tomar uma decisão com base nas informações iniciais [da auditoria] e não com o relatório final”, disse ele, citando também a possibilidade de os europeus chamarem uma reunião extraordinária para tratar a questão.
“É uma decisão europeia, mas há um trabalho de convencimento, de confiança mútua entre o Brasil e a Europa, apesar dessa pequena divergência, onde a Europa entendia que necessitava de mais uma camada de fiscalização”, acrescentou.
Essa “camada de fiscalização” adicional já está sendo adotada pelo governo e poderá ser verificada pelos europeus nessa auditoria no final de agosto, de acordo com o presidente da ABPA.
Na prática, o Ministério da Agricultura fará visitas adicionais e aleatórias às granjas, complementando a fiscalização já realizada pelas empresas e por fiscais agropecuários às granjas e fábricas de ração.
Segundo Santin, a ABPA está apoiando o governo nas negociações com os europeus na tentativa de mostrar a relevância das importações brasileiras para manter os preços estáveis na UE, especialmente em meio ao verão intenso e aos casos de influenza aviária no continente — o que pode reduzir a produção local.
No primeiro semestre deste ano, as exportações brasileiras de frango para a UE aumentaram 51%, atingindo quase 190 mil toneladas. Apesar da comparação ser prejudicada pelo fato de a Europa ter ficado fechada para o frango brasileiro durante um mês neste mesmo período de 2025, Santin diz que a demanda aumentou.
O Brasil preencheu, sozinho, as 20 mil toneladas isentas de tarifas previstas no acordo UE-Mercosul. Além disso, a expectativa de que o Brasil ficasse de fora a partir de 3 de setembro pode ter antecipado algumas importações.




