20.5 C
São Paulo
sexta-feira, julho 17, 2026

Execução virou a “mercadoria” mais valiosa do varejo brasileiro, defende BTG Pactual

DEVE LER


Ler o resumo da matéria

O varejo brasileiro enfrenta um novo ciclo marcado por juros altos e foco em produtividade e execução.

Com o endividamento das famílias e juros elevados, as empresas precisam ajustar suas operações, já que não podem contar com um mercado consumidor em expansão, cujo poder de compra foi erodido.

Categorias discricionárias e dependentes de crédito são as mais afetadas, enquanto o varejo alimentar e farmácias mostram resiliência, impulsionados por preços e demanda por saúde.

O relatório sugere que a execução se tornará o principal diferencial entre as empresas, em um cenário de crescimento estruturalmente mais baixo para o setor.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Após um grande boom de consumo entre 2006 e 2014, seguido pelos efeitos da recessão de 2015 e da pandemia, o varejo brasileiro entra em uma nova fase, na qual a palavra de ordem passou a ser produtividade e execução, em uma situação semelhante à observada no período pós-impeachment.

A análise é do BTG Pactual, cuja equipe de research para varejo estudou 20 anos de ciclos do setor no Brasil, buscando entender como os diferentes regimes macroeconômicos moldaram a demanda do consumidor.

Segundo os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim, Beatriz Cendon e Marcel Zambello, nesta nova etapa do varejo, as companhias não poderão contar com um mercado consumidor em expansão, diante do alto endividamento das famílias e dos juros na casa dos dois dígitos. Isso faz com que precisem ajustar suas operações para conseguirem navegar nessa fase.

“A próxima geração de vencedores, portanto, provavelmente será definida menos por melhorias generalizadas no PIB ou na confiança do consumidor e mais por ganhos sustentáveis de participação de mercado, iniciativas de produtividade, monetização de ecossistemas, engajamento de clientes baseado em dados e alocação disciplinada de capital”, diz trecho do relatório.

Mesmo com o mercado de trabalho relativamente resiliente no ciclo atual, os analistas afirmam que o poder de compra continua se deteriorando em razão dos juros reais elevados, do alto endividamento das famílias e da inflação persistente em itens essenciais, restringindo os gastos discricionários.

Essa situação explica o momento paradoxal vivido pelo varejo, segundo os analistas. Embora os volumes de vendas permaneçam próximos de máximas históricas, o ritmo de crescimento desacelerou de forma relevante, passando de 4,7% em 2024 para 1,6% em 2025.

O peso do cenário macroeconômico faz com que esse momento guarde algumas semelhanças com o período de 2015 a 2019, embora a situação atual seja muito melhor. Hoje, a pressão decorre da erosão do poder de compra. Naquele ciclo, as vendas do varejo recuaram 10% nos dois primeiros anos da recessão e a inflação ultrapassou 10% em 2015.

Uma das semelhanças está no comportamento do consumidor. Assim como entre 2015 e 2019, as categorias discricionárias e dependentes de crédito são as mais prejudicadas. Já o varejo alimentar demonstra resiliência e, atualmente, cresce principalmente em função dos preços, e não do volume.

As farmácias também repetem o desempenho observado no período da recessão. Naquele momento, destacaram-se, sustentadas por tendências demográficas, demanda recorrente por saúde e pela contínua consolidação da indústria. Atualmente, segundo o BTG Pactual, continuam beneficiadas pela demanda estrutural por saúde e pelo envelhecimento da população, mas ganharam um novo motor: a expansão do mercado de medicamentos GLP-1.

Em contrapartida, o momento atual não tem sido tão duro para os varejistas de vestuário. Segundo os analistas, de forma geral, as empresas demonstram maior resiliência, beneficiadas por estoques normalizados, custos de abastecimento mais favoráveis e melhor execução operacional.

“Por outro lado, categorias dependentes de crédito — incluindo móveis, eletrodomésticos, eletrônicos e veículos — continuam enfrentando pressão relevante decorrente de condições financeiras mais restritivas”, diz trecho do relatório.

Assim como ocorre atualmente, as empresas, durante o período pós-recessão, passaram a depender cada vez mais de ganhos de produtividade, com os temas daquela época sendo transformação digital, disciplina na gestão de estoques, investimentos em omnicanalidade e ganhos de participação de mercado, em vez de condições macroeconômicas favoráveis.

A grande questão, que o relatório não busca responder, é como o segmento sairá deste ciclo. Segundo os analistas, os anos seguintes à recessão marcaram efetivamente o início de “um ambiente de crescimento estruturalmente mais baixo para o varejo brasileiro”.

“Em um ambiente em que o consumo dificilmente retornará às taxas extraordinárias de expansão observadas entre 2006 e 2014, a execução tornou-se o principal fator de diferenciação entre as empresas de varejo listadas no Brasil”, diz trecho do relatório.



Fonte Link

- Publicidade -spot_img

Mais Artigos

- Publicidade -spot_img

Último Artigo