A formação de profissionais capazes de utilizar a inteligência artificial de forma prática e segura despontou como um dos principais desafios para a transformação digital das instituições do Sistema S. Durante o painel “IA generativa no Sistema S: Da experimentação à transformação institucional”, realizado nesta quarta-feira (1º), no 2º Encontro Nacional de TI do Sistema S, especialistas defenderam que a capacitação deve caminhar lado a lado com governança, infraestrutura e segurança para que a adoção da tecnologia aconteça de forma sustentável.
Em conversa mediada por Ana Paula Lobo, diretora do Convergência digital, Vagner Cassol, técnico responsável pelo Comitê de Inovação do Senac-TO, destacou que a IA amplia significativamente a produtividade, mas também potencializa riscos. “O uso indiscriminado das IAs, sem controle sobre as informações compartilhadas, é preocupante. As pessoas enviam dados sem saber exatamente para onde eles vão ou como serão utilizados”, afirmou. Esse cenário, conforme ele comenta, tem levado empresas a desenvolverem seus próprios modelos de linguagem para manter maior controle sobre informações estratégicas. “É o caso da Syngenta, que proíbe o uso de qualquer IA que não seja a sua própria”, afirma.
A “shadow AI”, expressão usada para caracterizar o uso não autorizado de ferramentas de IA por colaboradores, também foi assunto no painel. Antonio Netto, consultor de Tecnologia e Inovação, alertou para o avanço da prática. “Quando você simplesmente bloqueia ou libera demais, haverá impactos negativos. O desafio é encontrar um meio-termo, apoiado por governança, cultura organizacional e regras claras de uso”, disse.
E a busca por esse equilíbrio também passa pelas decisões de infraestrutura e cibersegurança. Para Thyago Caldas Rodrigues, especialista em infraestrutura para IA, antes de escolher qualquer tecnologia é necessário compreender o caso de uso, os dados envolvidos e o nível de sensibilidade das informações. “O grande desafio é encontrar o meio do caminho entre não manter infraestrutura ociosa e não expor dados sensíveis na nuvem. Ambientes híbridos e gateways de IA ajudam a decidir quando utilizar cada ambiente”, explicou.
Capacitação é fundamental
Nelson Paiva, diretor da Sea Tecnologia, destacou que a segurança depende também da preparação dos usuários. “É preciso capacitar as pessoas sobre prompts seguros, criar guardrails e impedir que informações sensíveis sejam enviadas inadvertidamente para as big techs”, observou.
Além da governança, os participantes defenderam uma mudança na forma de preparar os profissionais para essa nova realidade. Os especialistas foram unânimes sobre a necessidade de trazer mais aplicação prática nas capacitações. Segundo eles, os cursos precisam ser mais práticos e proporcionar contato direto com infraestrutura de IA. Netto defendeu que instituições como o Sistema S ampliem sua oferta de capacitações aplicadas.
Mencionando um caso de sucesso desenvolvido pelo Senac Tocantins, Cassol contou que foi usada gamificação para incentivar o uso de IA em sala de aula. O resultado foi a elevação do Estado da 14ª para a 1ª colocação nacional em adesão à tecnologia em menos de três meses. “Há centenas de aplicações possíveis na educação. A IA pode ajudar a resolver problemas complexos quando é acompanhada por estratégia, capacitação e governança”, concluiu.




