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domingo, maio 31, 2026

Após “tempestade do azeite”, Sovena vê Brasil como polo estratégico para o produto

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O azeite se tornou um dos principais itens de luxo da população brasileira há alguns anos, quando uma grande seca na Europa fez com que sua produção fosse fortemente prejudicada, o que disparou os preços do produto no Brasil. Em 2024, a redução da oferta fez o preço do óleo de azeitona disparar 50%, alcançando o maior índice da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2012.

Este foi um dos principais focos de preocupação da Sovena, companhia portuguesa de alimentos que tem a produção de azeites como um de seus carros-chefe. Com faturamento global de cerca de € 1,8 bilhão (R$ 11,3 bilhões), seu CEO, o português Jorge de Melo, veio ao Brasil em 2025 e declarou publicamente que o valor do item cairia, o que de fato aconteceu. Em 2025, a melhora do clima na Europa e a queda do dólar fizeram com que o azeite caísse gradativamente mês a mês, ficando cerca de 15% mais barato ao consumidor.

Passada a tempestade, Melo voltou ao País neste mês e falou sobre o atual momento da empresa que detém a MARCA Andorinha no Brasil desde 2004. “Acreditamos que o consumidor brasileiro valoriza muito o fato de comprar e importar um produto com a garantia de ser português. Isso é algo que queremos preservar”, destaca o CEO em entrevista exclusiva ao BRAZIL ECONOMY, lembrando que Portugal é, disparado, o principal vendedor de azeite para o Brasil.

De início, a Sovena fechou uma parceria com a Bunge Alimentos, que ficou responsável pela distribuição dos produtos da Andorinha, mas em 2015 a companhia resolveu internalizar esse processo e, hoje, comemora os resultados. Em 2004, a Andorinha tinha 2% de market share no Brasil, chegando a 15% em 2015 e 30% atualmente, além de liderar o segmento de extra virgem, o mais popular na mesa dos brasileiros.

“A Andorinha é uma MARCA que já existia e tinha alguma presença no Brasil, mas comercialmente estava meio parada. Então, acreditamos que este mercado tinha um potencial enorme de crescimento e por isso fizemos um trabalho muito bem feito. Estamos bastante satisfeitos com o percurso até aqui”, afirmou o CEO.

Apesar disso, levantamentos internos da companhia apontam que ainda existem 50% de brasileiros que não consomem azeite e, por isso, a Sovena vê a possibilidade de aumentar ainda mais sua penetração nos lares do País.

A companhia exporta para cerca de 70 países, em todos os continentes, sendo que em alguns mantém atividades industriais fora da Europa, como Angola e Estados Unidos. No caso do Brasil, a empresa apenas importa azeite, sem produzir aqui. A maior parte vem das olivas da companhia no Alentejo, sudeste de Portugal. Quando questionado sobre essa possibilidade, Melo é taxativo:

“Já olhamos para alguns potenciais projetos de cultivo no Brasil, mas não identificamos a possibilidade de presença relevante, já que as condições de clima e solo são mais desafiadoras para a cultura do azeite no País”, afirmou Melo, que é da quinta geração de familiares comandando a Sovena.

Atualmente, a companhia mantém um escritório em São Paulo com cerca de 30 colaboradores no bairro do Itaim Bibi e operação logística em Itajaí (SC), por onde a própria empresa importa o azeite. O outro modelo é quando o cliente importa por conta própria. De acordo com o CEO, o foco maior com o público brasileiro é compreender o perfil do consumidor local.

“Existem vários tipos de azeitonas e, portanto, nós procuramos fazer azeites mais alinhados ao perfil dos consumidores dos países onde vamos vender. O azeite espanhol, por exemplo, é mais picante e muitos brasileiros consideram isso um defeito, mas não é. No Brasil, o povo majoritariamente gosta de azeites mais suaves”, afirmou Melo.

Educação e inovação como estratégia

Há 99 anos, no longínquo vilarejo pertencente à cidade de Abrantes, Portugal, a família Simão lançou a MARCA de azeites Andorinha, que se tornou uma das mais tradicionais do mundo. Com sua famosa embalagem vermelha como carro-chefe, a popularidade da companhia foi levada a outros países pela enorme colônia de portugueses espalhada mundo afora. E o Brasil se tornou um dos principais mercados.

Quando a Sovena concluiu a compra da Andorinha, o impulso foi ainda maior. A estratégia da companhia no momento para garantir maior penetração nos lares brasileiros gira em torno de campanhas de educação e itens cada vez mais inovadores, já adiantando as comemorações pelo centenário da MARCA Andorinha, que ocorrerão em 2027.

Na primeira frente, a companhia chegou até a levar a apresentadora Ana Maria Braga ao Alentejo para conhecer a cultura do azeite, mas viu que existia uma necessidade de relacionamento mais próximo com os consumidores. Para isso, criou a Casa Andorinha, uma espécie de “museu do azeite”, que já ocorreu em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Na última edição, foi inclusive criado um restaurante temporário em um casarão de Botafogo, na Zona Sul da capital carioca, onde é possível entender como é produzido o azeite da MARCA, que se orgulha de conseguir levar a maior parte das azeitonas da colheita mecanizada no próprio olival à garrafa em até 24 horas. Para o centenário da Andorinha, a Sovena pretende realizar um grande evento no Brasil, ainda sem poder revelar detalhes.

Na frente de inovação, a companhia resolveu testar no Brasil uma tendência global que ainda não ganhou muita tração por aqui: o uso de squeezes nas cozinhas. Conhecido por estar em uma embalagem flexível, leve e resistente, o produto busca adaptar o consumo do azeite a uma rotina dinâmica para finalizar pratos com rapidez.

Lançado neste mês no Festival APAS Show, com previsão de chegada ao mercado nacional no segundo semestre deste ano, a distribuição será abrangente, contemplando todos os canais já trabalhados pela categoria no Brasil, incluindo o varejo tradicional e o cash & carry (atacarejo).






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