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sábado, julho 18, 2026

Accountfy investe em IA para redefinir SaaS, mas descarta “morte” do modelo

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A ascensão da inteligência artificial generativa reacendeu o debate sobre o futuro do mercado de software como serviço, o SaaS (Software como Serviço, na sigla em inglês). Para Goldwasser Neto, CEO da Accountfy, empresa brasileira especializada em Corporate Performance Management, o impacto é concreto, mas está longe de representar o fim do modelo. “A IA já é capaz de substituir parte relevante das funcionalidades tradicionalmente entregues por plataformas SaaS, especialmente aquelas mais simples ou periféricas”, afirma o executivo. “Cerca de 30% do que é entregue hoje pode ser executado de forma mais eficiente por meio de soluções baseadas em IA.”

A Accountfy desenvolveu internamente uma solução que permite aos próprios clientes criarem aplicações complementares dentro da plataforma, utilizando recursos de IA combinados com grandes modelos de linguagem, como GPT e Gemini. A estratégia não é abandonar o SaaS, mas incorporar a inteligência artificial como camada estrutural do produto. “Dizer que o SaaS vai morrer é um exagero, mas parte do mercado será inevitavelmente afetada.”

A maior vulnerabilidade estaria no chamado pure SaaS, soluções simples e pouco diferenciadas que entregam funcionalidades facilmente replicáveis por agentes de IA ou por softwares customizados criados pelo próprio cliente.

Na avaliação do executivo, o ecossistema que orbita sistemas como CRM e ERP pode ser parcialmente substituído por soluções feitas sob medida via IA. O núcleo desses sistemas tende a permanecer, mas a camada acessória está mais exposta. “Softwares de gestão de tarefas ou projetos se tornaram excessivamente complexos após ciclos de capital abundante. Muitos desses sistemas foram inflados com funcionalidades pouco utilizadas, enquanto o cliente arca com o custo total da estrutura. Esse cenário abre espaço para soluções mais enxutas e personalizadas”, acrescentou Neto.

Limitações técnicas ainda impõem barreiras

Apesar do avanço, Goldwasser pondera que a capacidade atual dos grandes modelos de linguagem ainda impõe restrições técnicas. Limites de tokens de entrada e saída dificultam a criação de sistemas altamente complexos apenas por meio de IA generativa.

Com a tecnologia disponível hoje, afirma, não é possível substituir sistemas muito grandes e estruturais. Caso os modelos não evoluam em capacidade de processamento e contexto, a substituição não deve avançar muito além do patamar atual.

A Accountfy utiliza múltiplos modelos de linguagem conforme a etapa do processo. A arquitetura lógica, o enriquecimento de dados e a camada tecnológica são desenvolvidos internamente.

O debate ocorre em um momento de queda relevante nas ações de grandes empresas globais de software. Para o CEO, parte da correção pode ser explicada pelo excesso de capital direcionado ao setor nos últimos anos.

Softwares originalmente concebidos para entregar soluções simples passaram a incorporar camadas adicionais de complexidade. Isso elevou custos, dificultou implantações e afastou parte da proposta inicial de eficiência.

Ainda assim, empresas consolidadas mantêm vantagens competitivas importantes, como canais de distribuição robustos, alto custo de troca para o cliente e integração em ecossistemas únicos, fatores que funcionam como barreiras contra soluções improvisadas.

Empresas precisam de segurança, continuidade e governança. A substituição de um fornecedor estratégico não é decisão trivial, especialmente quando envolve sistemas centrais da operação.

Fundada há oito anos, a Accountfy atua no segmento de Corporate Performance Management, oferecendo soluções de consolidação, fechamento, planejamento e reporte financeiro. A empresa soma cerca de 280 clientes diretos e mais de 4 mil empresas usuárias da plataforma.

Com 120 colaboradores, a companhia já investiu mais de R$ 100 milhões no desenvolvimento tecnológico e captou US$ 18,5 milhões ao longo de sua trajetória. Entre os parceiros estratégicos estão KPMG e PwC.

Segundo o CEO, a Accountfy ocupa posição de liderança no mercado de CPM na América Latina, ainda que o Excel continue sendo o principal instrumento utilizado pelas empresas nesse tipo de processo, dada a baixa penetração de soluções especializadas.

Estratégia de crescimento

O plano da companhia é reduzir gradualmente a dependência de serviços próprios, ampliando a atuação por meio de parceiros e mantendo uma estrutura enxuta focada na entrega de tecnologia.

A inteligência artificial, na avaliação do executivo, permite escalar a base de clientes sem crescimento proporcional do quadro de funcionários. O objetivo é consolidar a Accountfy como empresa essencialmente tecnológica.

“O futuro do SaaS não está na substituição completa, mas na reorganização do mercado”, completou Neto. “A inteligência artificial tende a redistribuir valor dentro do setor, pressionando modelos inflados e ampliando o espaço para soluções personalizadas.”






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