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terça-feira, setembro 8, 2026

“A bala de prata contra Flávio virá na semana da eleição”, diz coordenador do PT

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Pedro Rousseff foi o vereador mais votado da história do PT em Minas Gerais nas eleições legislativas de 2024. Hoje, com apenas 26 anos, lançou-se candidato a deputado federal após um pedido do próprio presidente Lula e de sua tia, Dilma Rousseff, com o objetivo de renovar os quadros do partido e criar um contraponto à ascensão de outro mineiro: o deputado Nikolas Ferreira (PL), um dos nomes mais populares da direita brasileira. Em 2025, o parlamentar contribuiu para a queda da popularidade de Lula ao publicar nas redes sociais um vídeo no qual acusava o governo de querer acabar com o Pix, o que posteriormente se mostrou inverídico. 

É justamente no campo digital que ocorre a “guerra” de Pedro. Embora a disputa pareça desproporcional, já que Rousseff tem cerca de 20 vezes menos seguidores do que Ferreira, o vereador já alcançou 75 milhões de pessoas em um único mês. O desempenho levou Lula a nomeá-lo coordenador da área digital de sua campanha, ao mesmo tempo que Pedro percorre Minas Gerais em busca de uma vaga na Câmara dos Deputados.

Na semana em que Nikolas Ferreira e, indiretamente, a campanha bolsonarista foram impactados pelas revelações de que o deputado mineiro e Daniel Vorcaro mantinham uma relação próxima, Rousseff conversou com o BRAZIL ECONOMY. Entre outros pontos, ele negou que a campanha petista estivesse por trás dos vazamentos, mas garantiu: existe uma artilharia pesada contra Flávio Bolsonaro que deverá ser divulgada próximo ao dia da eleição, em 4 de outubro. Confira:

Nos últimos dias, a imagem de Nikolas Ferreira, seu maior adversário político, foi duramente impactada pela divulgação de áudios que indicariam certa intimidade entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro. A campanha do presidente Lula está por trás desses vazamentos?
Isso é uma zona muito cinzenta, já que não tínhamos previsto esses vazamentos, que vieram da Polícia Federal (PF). Mas esperamos que haja outros parecidos e que eles impliquem o próprio Flávio Bolsonaro. Existe ainda a possibilidade de que ocorram operações de busca e apreensão contra Flávio e Nikolas, que precisarão se explicar na Justiça.

Com muitas pesquisas mostrando empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno, o que você e sua equipe devem fazer para mudar esse cenário no mês que antecede a eleição?
Nossa bala de prata contra Flávio será atirada na semana da eleição. Temos um material que deverá ser divulgado e que tem potencial para impactar diretamente a campanha dele.

Do que se trata?
São fotos comprometedoras dele com Daniel Vorcaro que vão mostrar como eles são mais próximos do que parece.

Algumas pessoas do seu espectro político também vêm sendo acusadas de manter relações pouco republicanas com empresários e lobistas, como o próprio filho do presidente. Isso causa algum temor na campanha de Lula?
Do nosso lado, algumas pessoas foram, sim, citadas em investigações, mas sabemos que elas têm a possibilidade de se defender. Estamos tranquilos e confiamos no processo da Justiça brasileira. Quando tiverem a oportunidade de se explicar, vão mostrar que não houve qualquer crime, diferentemente do relacionamento criminoso de integrantes da direita com Vorcaro.

Minas Gerais é considerado um estado-chave em qualquer eleição presidencial, já que, geralmente, quem vence entre os mineiros é eleito no país. Como você tem visto a receptividade da campanha de Lula no estado?
Lula tem uma posição consolidada por causa da estabilidade proporcionada pelo nosso governo. Conseguimos arrumar o país, que era assolado pela inflação e pela volta da fome. Sabemos que ainda existem muitos problemas, como os preços elevados de alguns alimentos e as dificuldades relacionadas à renda dos trabalhadores, mas conseguimos perceber uma melhora. Estou percorrendo Minas Gerais e noto que os mineiros se lembram da tragédia que foi o governo Bolsonaro. Claro que o antipetismo ainda existe. Serão eleições duras e apertadas, que deverão ir para o segundo turno.

O atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões, é bolsonarista. Isso pode tirar votos de Lula no estado?
O governador de Minas Gerais assumiu há pouco tempo e é completamente desconhecido dos mineiros. É um cara arrogante e sua chance de vitória é nula. O segundo turno deverá ser disputado entre Cleitinho e nosso candidato, Patrus Ananias. O presidente Lula é um conciliador. Mesmo que Cleitinho esteja em outro campo político, o relacionamento entre eles seria institucional caso ele vencesse. Temos batalhado para eleger Patrus, mas é uma disputa difícil e precisamos estar preparados.

A esquerda e a centro-esquerda já foram acusadas de certa letargia nas redes sociais, enquanto a extrema direita segue o caminho contrário. Você concorda com isso?
Ao longo destes últimos quatro anos, tivemos uma curva de aprendizado, com o desenvolvimento de uma comunicação mais orgânica e direta, centrada não apenas na figura do presidente, mas também nos benefícios do governo. Isso permitiu que tirássemos a máscara de muita gente da direita. Claro que ainda temos muitas coisas a melhorar, seja nas redes sociais, seja na campanha nas ruas. Embora a direita esteja forte, ela concentra suas ações na mentira, e isso criou uma impopularidade artificial do presidente Lula.

Qual é o grande trunfo que o PT pode divulgar nas redes sociais durante a campanha?
Acredito que seja o fim da escala 6×1, um projeto que veio da esquerda. O que a direita sabe fazer de melhor é se opor ao povo brasileiro. Isso causou muitos problemas, e a votação sobre o fim da escala 6×1 foi adiada por interesse político. Mas acho que, além de ter sido um tiro no próprio pé, isso mostra a essência dessas pessoas: adiar um projeto de total interesse dos trabalhadores brasileiros. Nossas pesquisas mostram que 90% da população apoia o fim da escala 6×1.

Você se incomoda com o título de “Nikolas Ferreira da esquerda”?
Minha candidatura foi um pedido pessoal do presidente Lula. Se eleito, vou defender o legado dos governos do PT, que levaram justiça social aos brasileiros. Quero informar e mobilizar a população. O presidente sabe que sou um contraponto a Nikolas Ferreira, uma figura popular da direita mineira. Sempre que ele subir à tribuna do Congresso para contar mentiras, vou subir em seguida, apontar o dedo na cara dele e mostrar que é mentiroso. Ele teme minha eleição porque sabe que terei esse papel. Tanto que, sempre que Nikolas fala de mim, cobre meu rosto. Essa é uma estratégia, já que o objetivo dele é impedir que as pessoas conheçam a minha imagem.

Muito se fala sobre quem serão os sucessores de Lula no PT. Você acha que o partido tem investido em novas lideranças?
Essa é uma preocupação do presidente. Ele quer preparar novas lideranças; caso contrário, o PT não vencerá as próximas eleições. Claro que, se Lula vencer neste ano, o foco principal estará nas entregas positivas, mas, paralelamente, será necessário estruturar os novos líderes da esquerda e da centro-esquerda para o mundo pós-Lula. Por isso, digo que as eleições de 2030, 2034 e 2038 já começaram.

Você se considera um nome promissor da esquerda brasileira para o futuro ou pretende manter sua carreira em Minas Gerais?
Considero-me um nome promissor, mas ao lado de outros, como Fernando Haddad e Rafael Fonteles, governador do Piauí. Vejo ainda nomes de outros partidos, como Guilherme Boulos, do PSOL, e João Campos, do PSB, prefeito do Recife. São pessoas que devem se destacar nacionalmente em nosso campo político.

Se o presidente o chamasse para assumir um ministério, caso fosse reeleito, você aceitaria?
Sim. Sou um soldado do presidente Lula.






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