A CrediSIS, sistema de crédito cooperativo sediado em Ji-Paraná, Rondônia, prepara uma nova etapa de crescimento no Paraná. Com R$ 6,3 bilhões em ativos, a instituição pretende ampliar sua carteira no estado dos atuais R$ 50 milhões para R$ 200 milhões até 2027. Criada em 2000, a CrediSIS reúne mais de 100 mil cooperados, 15 cooperativas e 81 agências. A instituição oferece produtos e serviços financeiros para pessoas físicas e empresas, como contas, crédito, investimentos, consórcios, seguros, cartões e meios de pagamento.
Presidente do sistema desde o ano passado, Otelo Castellani Filho nasceu em Sorocaba, no interior paulista, mas vive há aproximadamente 45 anos no Norte do País. Ao longo desse período, participou da disseminação do cooperativismo em uma região na qual o modelo ainda era pouco conhecido.
Depois de consolidar sua atuação como a única cooperativa de crédito fundada no Norte, a CrediSIS passou a buscar oportunidades em outras partes do Brasil. O Paraná foi escolhido como prioridade, apesar da distância em relação à sede, devido à força do cooperativismo local e aos vínculos históricos entre os dois estados.
Segundo Castellani, a migração de famílias sulistas para Rondônia contribuiu para aproximar as duas regiões e fortalecer a cultura cooperativista no estado nortista. “Em 1980 o Incra começou a doar terras em Rondônia e veio gente de todas as regiões do Brasil para novas oportunidades. Nesse processo, teve um volume mais expressivo da região sul que hoje representa grande parte da população do estado. A cidade de Vilhena, por exemplo, tem 80% de habitantes vindo do Sul, que é uma região protagonista em termos da cultura do cooperativismo”, afirmou o executivo.
A estratégia está concentrada no oeste paranaense, especialmente em municípios como Cafelândia, Nova Aurora, Planalto e Toledo. A região abriga uma economia fortemente ligada ao AGRONEGÓCIO e também instalações industriais relevantes, entre elas uma fábrica da MBRF, companhia responsável por marcas como Sadia e Perdigão.
O avanço da CrediSIS no estado ganhou impulso com um acordo para prestar serviços financeiros à Copacol, cooperativa agroindustrial que registra faturamento de R$ 11 bilhões. A parceria contempla soluções destinadas às propriedades rurais, como empréstimos, financiamentos, capital de giro, aplicações, internet banking, cartões, Pix, boletos, cheques, máquinas de pagamento, consórcios, contas para crianças e previdência privada.
“A adesão da Copacol fez com que outras cooperativas fizessem contatos conosco querendo implementar o mesmo modelo. Nosso foco é sempre no interior, já que a essência do cooperativismo é estar próximo dos clientes para compreender sua história e negócio. É dessa forma que conseguimos entregar produtos e serviços que colaborem com seu desenvolvimento, além de olhar para a região onde estamos instalados”, enfatizou Castellani.
A experiência acumulada em Rondônia sustenta os planos de crescimento da instituição. Dados do Sistema OCB mostram que o estado alcançou 639 mil cooperados em 2026, expansão de 332,7% desde 2019, uma das maiores registradas no Brasil. Atualmente, aproximadamente 30% da movimentação financeira rondoniense passa pelo cooperativismo. Na Região Norte como um todo, essa participação não ultrapassa 3%.
“Rondônia tem uma cultura cooperativista parecida com Santa Catarina e Rio Grande do Sul, duas referências no tema. Tudo isso é fruto de um trabalho que fizemos para conscientizar a população local, apesar de ser uma região onde ainda não temos cidades muito estruturadas, mas que sobram oportunidades”.
Avanço nacional
As cooperativas financeiras atendem 21,2 milhões de brasileiros, o equivalente a cerca de 8,4% da população, segundo o Banco Central. Essas instituições já estão presentes em três de cada cinco municípios do país.
A expansão também aparece na captação de recursos. Entre 2024 e 2025, o volume captado pelas cooperativas cresceu 17,6%, acima dos 10,4% registrados pelos bancos comerciais.
“Ganhar escala sem perder a proximidade com a economia real é uma característica muito própria do cooperativismo. Estamos falando de crédito que chega ao empreendedor que precisa financiar seu negócio, ao produtor que precisa custear uma safra ou investir na propriedade e a regiões onde, muitas vezes, outras instituições diminuíram sua presença física”, complementou Luiz Lesse, presidente da Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confrebras).




